É preciso mudar

Por mais que a gente acredite que a administração hoje vai além dos modos de produção e das técnicas definidas pela Revolução Industrial, ainda estamos presos a padrões que não nos deixam avançar rumo a uma gestão mais livre, ousada e democrática. Temos a obrigação de preservar o legado de pensadores e grandes gestores, mas nosso dever maior deve ser a busca constante da inovação.

Em quase quatro anos à frente de uma consultoria de transformação, a principal queixa dos executivos recai sobre as relações humanas, a falta de resiliência, o olhar obsessivo pela rentabilidade e a pouca habilidade de gente lidar com gente. Acredito que a internet veio suprir uma necessidade de tentar estabelecer relações mais significativas, personalizadas e únicas, em oposição à apologia da TV e da comunicação de massa que fincou suas bandeiras e raízes na segunda metade do século passado. E a busca pelas relações humanas mais verdadeiras e o anseio por organizações mais horizontais, mais flexíveis e criativas decorre desse grande movimento antropológico que, para mim, marca uma nova era na história da humanidade. Por mais que a tecnologia nos surpreenda, estamos vivendo uma época humanista, muito bem representada pelos selfies dos celulares, e repleta de questionamentos sobre a finalidade das coisas. Conhecemos pelo menos um par de executivos que deixaram carreiras promissoras em busca de uma vida mais simples – sinal de que a rotina corporativa anda complicada e burocrática demais.

A proliferação de robôs, próteses, inteligências artificiais, drones e até a imitação dos sentidos nos leva a encarar novos tempos. E quando comparamos esta realidade com o que acontece em nossos escritórios, percebemos que estamos insistindo em preservar padrões que precisam ser rompidos.

Se a internet criou uma nova forma de funcionamento do planeta Terra, essa nova ordem mundial pressupõe uma desordem do nosso olhar de gestores sobre estruturas e conceitos até então ditos imutáveis. Não estou falando de modismos, mas de identificar os diferentes códigos culturais existentes em cada organização e aproximar-se deles com respeito religioso, sempre mapeando desafios e oportunidades. O preço da liberdade é a coragem e esta máxima nos coloca numa situação inusitada de ter que lidar com a ausência de hierarquias, de vícios e obrigações legadas, porque com estas estamos habituados a conviver. Sabemos muito bem tudo aquilo que é e que deve ser, mas temos uma infinita habilidade para ignorar tudo aquilo que poderia ser.

Nesse momento apagamos, com o sopro do medo do risco, a centelha de criatividade que começava a ganhar corpo. Entendo que é difícil lidar com o pensamento que tudo aquilo que é pode não ser, porque isso foge da nossa lógica e causa uma grande inquietude diante da possibilidade de ter que modificar toda uma estrutura “que sempre foi assim”.

A mudança não é justificada por si só, mas pela felicidade e realização pessoal (e não apenas) profissional) das pessoas que formam uma organização, de maneira sistêmica, viva e orgânica. Felicidade leva a um aumento natural de produtividade, de inovação e de criatividade. A felicidade, que deveria ser um índice importante nas avaliações de ambiência e pesquisas de clima, torna as pessoas naturalmente instigantes e catalisadoras de um processo de transformação coletivo. Pessoas felizes tendem a saber a finalidade pela qual estão realizando determinada tarefa ou função, e isso as faz ocupar seu lugar, tendo seus papeis e responsabilidades bem definidos. E melhor: ser feliz tende a impedir que você queira deixar o seu papel e assumir o papel do outro. Tudo isso pode parecer utópico, mas é radicalmente possível e tem trazido resultados impressionantes em grandes organizações, como a quebra de silos, simplificação de processos, integração de operações e efeitos em toda a cadeia produtiva, vendas e relacionamento.

Devemos agradecer à internet por nos ter obrigado a olhar para nós mesmos, a despeito de toda tecnologia, e possibilitar que a Era da Informação pudesse florescer de maneira tão fascinante. Chegou a hora de você fazer novas escolhas e traçar novos caminhos. Chegou a hora do desapego e da transformação, a partir de um profundo conhecimento do que se é e para onde se quer ir. E você sabe onde quer estar nos próximos cinco anos?

*Fonte: http://www.administradores.com.br/artigos/carreira/e-preciso-mudar/77543/

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Um grande mistério ao final da Copa das Copas

Com ou sem Copa, teria mesmo de ser construída em razão do trânsito caótico da cidade, o segundo pior do país”, mencionou o presidente em seu artigo

Todo o entusiasmo que o governo procurou transmitir ao povo brasileiro, quando a Fifa anunciou o Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, evaporou como etanol ao longo dos últimos sete anos. Em outubro de 2007, ainda em Zurique, as autoridades brasileiras prometeram uma nova era para o país: além de novos estádios, seriam resolvidos os problemas de mobilidade urbana (um dos grandes infernos da vida nacional), pelo menos nas doze cidades-sede da competição, e todos os outros setores seriam beneficiados, como o turismo, a infraestrutura etc.

Para o nosso setor, anunciaram números grandiosos com a vinda de 600 mil turistas estrangeiros e o incremento de milhões de dólares em seus segmentos, como transporte aéreo, hotéis e benefícios para o comércio e trabalhadores.

Mas os profissionais do turismo não se entusiasmaram, pois logo souberam que a Fifa era a dona de tudo: de ingressos a reservas de hotéis.

Não cabe a nós, do turismo, espalhar o pessimismo sobre uma das maiores competições do Planeta; primeiro, por ser o futebol a grande paixão nacional; segundo, por ser o Brasil o único pentacampeão mundial. E, se vier o hexa, em nosso território, participaremos da festa vestidos de verde e amarelo. Somos patriotas.

E é por isso mesmo, por vestir a camisa do país, que temos o dever de enxergar a realidade e de não nos deixar envolver pelo ufanismo oficial.

O orgulho de patrocinar o evento custaria ao país no início cerca de R$ 30 bilhões. Ainda não dá para fazer as contas finais, mas o preço desse castelo de sonhos vai muito além. Castelo que começou a ruir quando as obras dos majestosos estádios padrão Fifa romperam no horizonte.

Nas cercanias, nenhuma obra de mobilidade urbana conforme o prometido; esgotos continuam a céu aberto, hospitais e escolas em estado lamentável, as favelas penduradas nos morros contemplando a ostentação do futebol.  Em algumas cidades, até o caminho para o estádio exige grandes sacrifícios.

Então o povo saiu às ruas no ano passado em protesto ao contraste patrocinado pelo governo. As multidões pediam investimentos em saúde, educação, segurança pública, moradia e mobilidade urbana. Enfim, infraestrutura digna para o país.

Num país em desenvolvimento, merece protesto a decisão de gastar bilhões de reais em um grande evento esportivo e não melhorar em nada o investimento para as precárias condições sociais da população.

E se lembrarmos que a Copa antecede as eleições presidenciais em poucos meses, dá para pensar no projeto político do Partido dos Trabalhadores de se manter no poder por 30 anos. Resta saber se mais um título de campeão mundial levaria Dilma Rousseff à vitória nas urnas em outubro.

Este pode ser o legado da Copa para o Brasil. No entanto, teremos pouco a comemorar e muito a lamentar. Para começar, são grandes elefantes brancos por todo o território nacional, um deles em Brasília – o estádio Mané Garrincha, o mais caro de todos, estimado em R$ 1,9 bilhão.

Das obras de mobilidade, uma das poucas a ficar pronta é a Transcarioca, no Rio de Janeiro, ligando o aeroporto do Galeão à Barra da Tijuca. Com ou sem Copa, teria mesmo de ser construída em razão do trânsito caótico da cidade, o segundo pior do País.

O que fica de mobilidade para São Paulo? Talvez, só esta decisão da Prefeitura: a Radial Leste será fechada para o trânsito comum em dias de jogos da Copa no Itaquerão.

No cômputo geral, a perda será grande. A produção da indústria será reduzida com os feriados em dias de jogos do Brasil, o comércio venderá e contratará menos. E menos ainda se houver mais manifestações populares. No turismo, o movimento pode ser um pouco maior do que o normal para o período em anos anteriores. Muitas pessoas vão preferir ficar longe das confusões do futebol.

E a infraestrutura? Os aeroportos privatizados continuarão em obras, pois os leilões ocorreram muito tarde. Os demais aeroportos estão a cargo da ineficiente Infraero. Sobre ferrovias, rodovias e portos, simplesmente nada em planejamento.

Eis o retrato de hoje da ‘Copa das Copas’, como costuma dizer a presidente Dilma: os hotéis estão colocando à disposição apartamentos reservados para as agências da Fifa, pois a lotação será menor que a prevista; as empresas aéreas começam a reduzir o preço das passagens, pois não haverá um fluxo de passageiros alto como se imaginava.

Resta a torcida pelo Brasil nos gramados. Campeão, será um bom ganho. Pois de pouco adiantará saber o custo real da festa. A única certeza é de que pagaremos a conta, mais uma vez derrotados pela imprudência e pela impunidade.

*Fonte: http://www.diariodoturismo.com.br/Um-grande-misterio-ao-final-da-Copa-das-Copas_33749 – Por Eduardo Nascimento é presidente do SINDETUR-SP – Sindicato das Empresas de Turismo no Estado de São Paulo

Turismo é a nossa praia

Dar um jeito no turismo é dar um jeito no Brasil.
É uma atividade que ajuda a organizar o País e a educá-lo.

O turismo brasileiro precisa ser do tamanho do Brasil. A pasta do Turismo tem sido uma pasta menor. Nunca foi dado a ela o enfoque espetacular que ela merece. 

O turismo é altamente empregador e se espalha pelo País inteiro. É o melhor amigo da indústria e dos serviços porque torna os nossos produtos e os nossos serviços conhecidos no mundo todo e demandados no Brasil todo. Precisamos dele para vender as marcas criadas pelo imaginário brasileiro e que celebram o nosso “way of life”. 

A discussão sobre a pertinência de termos uma Copa do Mundo revela, entre outras coisas, que ainda não compreendemos como ela é amiga do turismo e das marcas brasileiras. Isso não significa abençoar tudo o que é feito em nome da Copa, mas entender a sua capacidade de promover nosso País, nossos valores e nossos produtos. 

O turismo é a nossa praia. É a nossa história, é a nossa cultura, é o nosso espelho e a nossa vitrine. Ele é muito mais importante do que parece. Precisa de um choque de alta-tensão e de alta atenção. 

As nossas cidades históricas estão morrendo. Nosso patrimônio turístico está ameaçado. Não estamos nos preparando para o turismo de convenção e o turismo de negócios do século XXI, cada vez mais exigentes. 

Não é uma questão de campanha publicitária global. A campanha é tornar o turismo prioridade. Outras campanhas serão consequência. 

Este País tem tantos quilômetros de praia e só tem uma Trancoso. Isso não faz sentido, é redutor. E Deus, quando fez o Brasil, pensou grande. 

Fernando de Noronha, Amazônia e Pantanal são joias mundiais no crescente turismo ecológico, mas será que estão sendo geridos à altura? Como estão sendo cuidadas as cidades históricas mineiras? Por que ainda não temos uma pista de pouso em Inhotim? Quem cuida do Patrimônio Histórico de Salvador, um dos maiores conjuntos barrocos do mundo, caindo aos pedaços? 

Entre os setores no Brasil que ainda estão abaixo do potencial, o turismo se destaca. Os rankings globais do turismo mostram de forma inapelável como estamos aquém do que podemos realizar. 

E o turismo é um dos setores mais dinâmicos da economia mundial. Vivemos na era da mobilidade. O número de turistas internacionais não para de crescer. Tanto que a China tornou-se o maior provedor de turistas do mundo, em 2012. 

Como sempre, também nesse setor temos tudo para dar certo. Duas das categorias de turismo que mais crescem no mundo são o turismo de natureza e o turismo de cruzeiro. Não precisa explicar para ninguém como somos fortes nessas duas categorias. 

Dar um jeito no turismo é dar um jeito no Brasil. É uma atividade econômica multidimensional, que ajuda a organizar o País e a educá-lo. O viajante, quando escolhe um destino, está escolhendo um conjunto de bens e serviços difusos, como transportes, estadia, atividades culturais e de entretenimento, comércio, lazer, gastronomia. Antes mesmo da viagem, o turismo demanda trabalho prévio de informação, publicidade e vendas, que movimenta mais setores da economia. 

Parece prova de que Deus é brasileiro nós termos conquistado essa sequência espetacular de eventos globais — Rio+20, Copa das Confederações, Copa do Mundo, Olimpíada. Tudo começando e acabando na cidade mais internacional do Brasil, o Rio de Janeiro, pronta para esse papel desde o dia de sua fundação. Temos que tirar máximo proveito desse calendário, não teremos outra sequência como essa. 

Eu viajo muito e vejo que, apesar de nossos problemas, o mundo quer cada vez mais ser brasileiro. Nosso estilo de vida é agradável. O Brasil não odeia ninguém e, tirando o futebol, não quer derrotar ninguém. O Brasil não quer dominar o mundo, quer seduzi-lo. Somos não só um mercado emergente, mas um estilo emergente. 

O mundo quer viajar no Brasil. Precisamos construir os caminhos. 

*Fonte: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=160402 – Por Nizan Guanaes – Publicitário e presidente do Grupo ABC

Copa: setor de serviços e consumo no Brasil está preparado?

Há pouco tempo para o início da tão esperada Copa do Mundo, a grande pergunta que sempre fica no ar é: O Brasil está preparado para receber os grandes eventos? Quando falamos em megaeventos esportivos como esse, não basta pensar apenas na tão falada infraestrutura, como estádios, aeroportos, estradas e afins. Precisamos olhar muito além disso e pensar também como estarão as pessoas que terão contato direto com estes visitantes. Temos um longo caminho a percorrer para satisfazermos os exigentes turistas que por aqui desembarcarão. Porém, a notícia não é tão ruim assim, já que o brasileiro, por natureza, é um povo hospitaleiro. Isso por si só já é uma vantagem para o desenvolvimento na prestação de serviço.

Grande parte dos brasileiros que serão responsáveis pela experiência dos turistas estrangeiros é profissional da área de hospitalidade. Até pouco tempo, o mercado de hospitalidade no Brasil era restrito a profissionais que se formavam nas poucas faculdades de hotelaria existentes e aos que faziam escola em cadeias hoteleiras internacionais presentes no País. Essa realidade mudou drasticamente nos últimos anos. As faculdades de hotelaria se multiplicaram e aprimoraram suas grades educacionais, novos cursos técnicos profissionalizantes nasceram, e o setor nacional se fortaleceu. Entretanto, assim como em vários segmentos no Brasil, reflexo do bom momento em que vivemos, a mão de obra especializada está cada vez mais escassa e não acompanha o ritmo de crescimento e abertura de novos hotéis e restaurantes. É necessário o investimento na formação de profissionais aptos para trabalharem nesses estabelecimentos.

A carreira na área de hospitalidade, até pouco tempo atrás, era movida pela paixão em servir, conhecer diferentes culturas e línguas. Mas havia um caminho longo e árduo que, muitas vezes, esbarrava na dificuldade de chegar a um cargo gerencial, fazendo com que os profissionais se limitassem apenas às áreas operacionais nas quais ainda havia uma grande concorrência. A carreira hoteleira exige longas horas atrás de balcões ou atendendo clientes de mesa em mesa. Funções exaustivas que, não raro, são exercidas também aos finais de semana e feriados.

Contudo, esse profissional nunca esteve tão valorizado como nos últimos anos. Além dos hotéis, pousadas e restaurantes, caminhos óbvios para que esses profissionais possam seguir carreira, estão diversos outros mercados, como bancos, hospitais, shoppings, entre outros, que contam com esses especialistas para criar ou gerenciar as respectivas áreas de hospitalidade.

A valorização da área de hospitalidade se deve, sobretudo, ao fato de que estamos vivendo hoje em um mundo cuja atenção ao cliente vem crescendo cada vez mais nas empresas. Observamos uma concorrência acirrada no mercado, o cliente está cada vez mais exigente e sabe exatamente o que quer. Aliado a isso está o aumento da velocidade da informação, fazendo com que redes sociais e fóruns online se tornem locais onde os clientes possam comparar suas experiências.

Para antecipar esse teste pelos nossos turistas e auxiliar a boa formação dos profissionais brasileiros para assegurar uma boa prestação de serviço, as empresas estão cada vez mais investindo em capacitação, treinamento e monitoramento. Uma das ferramentas utilizadas para esse monitoramento que vem se destacando cada vez mais é o cliente oculto, por meio do qual os profissionais são colocados à prova a qualquer momento. A ferramenta de cliente oculto já é utilizada por empresas no Brasil, como hotéis, restaurantes, lojas e demais prestadoras de serviço. Com essa ferramenta, as eventuais falhas são aprimoradas, e boas práticas premiadas, conforme denunciadas pelo olhar do cliente.

Seja pela chegada de eventos caros e de alto padrão, ou pelo olhar afiado do cliente, o fato é que foco no cliente como cultura organizacional é uma filosofia em expansão, que já está presente nos dias de hoje e se estabelecerá nos próximos anos.

Cada vez mais as empresas cobrarão o engajamento de todos, dos funcionários até a presidência, para que seja alcançada a satisfação do tão disputado cliente.

Com o devido investimento em qualidade de serviço e o crescimento desse mercado, o Brasil pode sim estar preparado para os grandes eventos que virão nos próximos anos e tornar-se, finalmente, um polo turístico mundial de alto nível.

*Fonte: http://www.diariodoturismo.com.br/Copa–A-setor-de-servicos-e-consumo-no-Brasil-esta-preparado–F_33484 – Por José Worcman é sócio-diretor da OnYou, uma das principais empresas do país especializada em qualidade de serviços a partir de avaliações de clientes ocultos

O sonho de um Rio turístico

O recente episódio de Copacabana, na comunidade Pavão –Pavãozinho foi manchete de vários jornais, sites, emissoras de televisão, em mais de 50 países 

O sonho de uma cidade verdadeiramente turística não parece ser a realidade carioca. Sentimos diariamente que a cidade passa por uma crise de identidade e de segurança. O projeto pioneiro das upps, que se traduz num modelo de redução da criminalidade em comunidades, não veio acompanhado de serviços públicos eficazes para a população e assim vai perdendo aos poucos sua verdadeira função, já que os criminosos estão retornando aos seus quartéis e ajudando os moradores, na ausência do Estado. É lamentável pois trata-se de uma forma de melhoria da imagem institucional do Rio, no âmbito turístico, que muito nos ajudou quando da sua implantação.

O recente episódio de Copacabana, na comunidade Pavão –Pavãozinho foi manchete de vários jornais, sites, emissoras de televisão, em mais de 50 países, sendo que pelo menos 7 estão entre os principais emissores para a Cidade Maravilhosa. As notícias veiculadas mostravam uma Copacabana em plena guerra urbana. Turistas deixavam hostels nas proximidades e corriam pelas ruas. Enfim, com a proximidade da Copa só não haverá grandes cancelamentos pois os pacotes foram vendidos com muita antecedência. Trata-se do principal bairro turístico da cidade, que concentra mais de 60% dos meios de hospedagem, hoje repleto de mendigos nas rua, pequenos delitos, além de uma limpeza sofrível e vendedores ambulantes. No entanto, cancelamentos começam a pipocar em agências de receptivo do Rio e travel advisories já mencionam a insegurança de Copacabana.

No entanto, o que mais me entristece é a falta de uma política eficaz de turismo em situações como a ocorrida. Não vi mais uma vez nenhuma ação dos órgãos públicos de turismo e lamento a descontinuidade dos programas de relações públicas, que eram desenvolvidos com o Corpo Consular e correspondentes estrangeiros, que tinham como função, buscar justamente uma interação com duas fontes importantes de disseminação de informações.

Sentimos-nos impotentes, pois não sabemos muito bem, como atuar sobretudo na forma de lidar com tais situações, sem uma verdadeira cooperação do Poder Público. O Trade turístico, com raras exceções não se pronuncia e não demonstra sua insatisfação e preocupação. A omissão pode custar caro e sabemos que o episódio de Copacabana vem sendo acompanhado de situações semelhantes em todo o país, sobretudo com constantes destruições de ônibus e carros, que são incendiados. Cabe frisar, no entanto, que a  cidade do Rio, como principal produto turístico do país, enseja uma divulgação negativa para o Brasil, como um todo.

Não devemos culpar as forças de segurança,  mas sim as políticas de integração das comunidades aos serviços básicos, que não ocorrem. Sem urbanização e verdadeira cidadania, nenhuma upp poderá salvar a cidade, que precisa sobreviver do turismo. Talvez fosse o momento de acabar com tantos subsídios para a população carente e definir uma política de habitação, saúde e educação, que criasse verdadeiras oportunidades e não paliativos.

Não desisto e continuarei, como acadêmico buscando soluções e as externando em artigos, redes sociais, palestras e livros como contribuição espontânea. Conclamo que todos os interessados com o turismo o façam também. Vamos salvar o Rio…

*Fonte: http://www.diariodoturismo.com.br/Artigo—O-sonho-de-um-Rio-turistico_33617 – Por Bayard Do Coutto Boiteux 

Turismo e as redes sociais

Atualmente, o turista confia cada vez mais nas redes sociais para tomar uma série de decisões, assim como ampliar virtualmente e mesmo exponencialmente suas experiências – positivas ou negativas. Por isso, as empresas do setor precisam estar atentas e acompanhar essa tendência do mundo online.

Os sites de relacionamento nas redes sociais na internet surgiram para que as pessoas pudessem encontrar amigos antigos e manter contato com novos. Hoje, esses espaços amadureceram para algo inimaginável em termos de interação e comunicação. A publicidade, como sempre, logo soube aproveitar esse espaço virtual para divulgar marcas e produtos. Da mesma forma, o setor de turismo pode se beneficiar disso para atrair viajantes. Os turistas confiam cada vez mais na boa e velha propaganda boca a boca, e as redes sociais são o espaço ideal para isso. As redes sociais permitem às empresas de turismo, como agências de viagens e até mesmo hospedagens, uma promoção mais direta dos produtos, maior interação e troca com os clientes.

Atualmente, o turista confia cada vez mais nas redes sociais para tomar uma série de decisões, assim como ampliar virtualmente e mesmo exponencialmente suas experiências – positivas ou negativas. Não a toa, o site TripAdvisor, referência para viajantes do mundo todo, possui 50 milhões de usuários.

Estimativas apontam que o Brasil possui cerca de 35 milhões de usuários nas redes sociais. Uma pesquisa do Ibope/Nielsen revelou que 90% dos internautas brasileiros acessam as redes sociais.

Impacto

Universidades e autoridades estrangeiras têm acompanhado o impacto de reviews em sites de turismo. Esse impacto de fato existe. Algumas empresas e hospedagens chegaram a enfrentar dificuldades após a postagem de reviews negativos nesse tipo de site.

O surgimento de diversas novas ferramentas tecnológicas trouxe grandes mudanças no mercado turístico e nos hábitos do viajante. A internet proporcionou dois grandes saltos: a praticidade para realizar reservas de diversos gêneros (voos, hotéis, carros, restaurantes, etc.) e a disponibilidade de informações antes acessível a poucos. O turista internauta pode hoje pesquisar uma infinidade de referências sobre milhares de destinos e atrações sem grande esforço. A pesquisa realizada revelou como a nova forma de viajar provocou mudanças nos atores envolvidos nesse processo: o turista tornou-se mais independente de prestadores de serviços turísticos e mais envolvido com outros viajantes. 

Os ofertantes foram obrigados a reinventar-se, abrindo o seu relacionamento com um diálogo mais franco e aberto, além de entenderem que não podem limitar-se ao espaço físico que atualmente ocupam. Também, pode-se observar nesse panorama o surgimento de novos atores que ajudaram a mudar a dinâmica do setor. Podemos ver as estruturas e impactos na imagem a seguir: 

Estas três grandes categorias, subdivididas em 7 principais atores caracterizaram o Turismo 2.0 e a organização dos casos apresentados neste relatório. 

O consumidor 

Do ponto de vista do Turista 2.0 temos um consumidor mais exigente, bem informado, participativo, que deseja ampliar sua experiência turística com um período pré e um período pós-viagem, nos quais ele se socializa, primeiro buscando e depois compartilhando e discutindo vivências e percepções antes, durante ou após as viagens. Para esse público a viagem é cada vez mais um ato social, mesmo que ele viaje sozinho. 

Do lado do Trade Turístico, qualquer instituição que queira se posicionar de maneira efetiva na internet e nas redes sociais deve entender que o turista é colaborador chave da elaboração de conteúdo e construção da sua reputação. 

O objetivo final é tornar a oferta turística mais completa, interessante e estimulante, além de gerar negócios e oportunidades de forma integrada para uma série de serviços que podem ser complementares. 

Tutorial básico para redes sociais

Não tem jeito, para se manter competitivo no mercado, é preciso manter-se competitivo também no mundo online e isso significa monitorar aquilo que é dito sobre a sua empresa nas redes sociais e talvez estar presente para que os consumidores possam interagir e confiar na sua empresa ainda mais. Esse tipo de informação vale ouro para o negócio. Veja a seguir um tutorial básico sobre como iniciar nas redes sociais.

Como um micro ou pequeno empresário, a melhor opção geralmente é focar em qualidade em vez de quantidade. Dessa maneira, você pode estar mais apto a oferecer serviços customizados de forma mais apurada do que grandes operadoras. Para dar início a sua participação nas redes sociais, é preciso seguir as cinco etapas a seguir no perfil de comportamento do menos envolvido até o mais envolvido:

Uma vez que sua empresa já esteja presente nas mídias sociais, siga os passos a seguir para ser bem sucedido:

*Fonte: http://www.focosebrae.com.br/focosebrae/boletim.aspx?codBoletim=74

De olho nas Mega-tendências. Tem como se planejar para 10 ou 20 anos?

As mega-tendências podem ser entendidas como tendências previstas a longo prazo. Em muitos setores, esses movimentos são capazes de gerar mudanças e impactar por completo um modelo de negócios. Uma preocupação estratégica da maioria das empresas é: como se posicionar para aproveitar da melhor forma estas mudanças, se adaptar aos novos contextos e o que fazer para sair na frente dos concorrentes no quesito inovação. Contudo, aproveitar as tendências que surgem passa por questões de planejamento estratégico de longo prazo, correção de erros, conhecimento do mercado e pesquisas para tentar definir como será o próximo período. 

As empresas tentam antever o futuro por meio de indicadores de mercado e pesquisas. Com base nestes dados, são traçados os novos rumos pretendidos para longos períodos de 10, 15 ou 20 anos. Por mais que fazer um planejamento pareça algo fechado para se seguir à risca, o segredo está exatamente em manter os processos abertos e passíveis de mudança a qualquer momento. O futuro ainda está em construção e as companhias devem ser maleáveis o bastante para alterar suas rotas ao longo do tempo em direção à meta pré-estabelecida.

As projeções para o longo prazo e as decisões operacionais de curto prazo andam de mãos dadas para o sucesso ou para fracasso da empresa. “O longo prazo e o curto prazo: ambos precisam ser tratados. O estratégico dá norte para os objetivos, enquanto que o operacional deve contar com iniciativa, inovação e criatividade. Quando se tomam decisões de curto prazo sem controle, provavelmente uma empresa que era saudável entra em declínio. A saúde do presente permite planejar o futuro”, avalia Luiz Alberto Gravina Belmiro, Proferssor de Planejamento em Marketing da ESPM e da Estácio.

Olhar global é fundamental
A missão de compreender os rumos que o mercado vai tomar nas próximas décadas extrapola os limites setoriais de qualquer empresa. Para aproveitar as tendências que surgem da realidade cotidiana, as organizações devem manter um olhar global para identificar as melhores oportunidades. “O primeiro passo para é compreender que o mundo esta mudando e colocar algumas pessoas para analisar e entender essas transformações. Quais megatendências têm mais influência na sua área?”, diz Peter Kronstroem, Representante do Copenhagen Future Studies no Brasil, em entrevista ao Mundo do Marketing.

As apostas feitas no longo prazo sempre escondem perigos inerentes à imprevisibilidade. Porém, nenhuma empresa deve ignorar às megatendências. O caminho é encontrar quais são as mais próximas ao seu segmento e trabalhar com maior atenção nestas, sem desprezar as outras. “Todas as megatendências são certezas de mudança no mundo, ainda que não se compreenda em um primeiro momento para qual lado. Não é possível se esconder de uma megatendência. É uma obrigação saber a melhor forma de se adaptar a elas”, aponta Peter kronstroem.

O principal perigo são os fatores externos à empresa, de escala mundial e que podem interferir diretamente na sua forma de operar. “Os problemas mais comuns em planejamentos de longo prazo são estes. Quando se tem o controle da situação, tudo é possível de se contornar. Os maiores desafios estão nos macrocenários e que não cabem à empresa controlar. Nem mesmo o presidente da maior companhia terá controle sobre guerras, crises financeiras, inflações, globalização ou redução de demandas”, avalia Luiz Alberto Gravina Belmiro.

Mutabilidade programada
A distância entre o início do planejamento e a concretização do projeto é outro ponto de atenção e os caminhos se tornam mais dinâmicos quando são revistos periodicamente. “Não adianta ter um planejamento e não repassar com todos os colaboradores de cada departamento, pelo menos a cada seis meses. Por mais que o alvo esteja há 15 anos, se fizer uma reunião periodicamente com os departamentos envolvidos é possível identificar falhas bem no começo”, aponta Marcos Silva, Diretor da Agência CDM Marketing, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Até a finalização dos projetos, as organizações precisam observar quais são as novas características que estão sendo incorporadas em seu segmento e que ainda não fazem parte da sua realidade coorporativa, somando eles às suas competências. “É essencial ter um planejamento de longo prazo para alinhar as estratégias de hoje com aquelas que queremos atingir no futuro. Isso é extremamente importante para qualquer empresa. As estratégias precisam ser dinâmicas e todo tempo aptas a mudanças. Não existem estratégias a longo prazo estáticas”, comenta Peter Kronstroem.

O principal erro acaba sendo a inflexibilidade por trabalharem com a ideia de um futuro fixo. Com base neste ideal são feitos os planejamentos, e as marcas nem sempre estão preparadas para mudar de rota quando o cenário se altera. “O futuro não existe. O que existe são inúmeros cenários possíveis para o futuro. Temos que analisar todas as possibilidades. O caminho é adotar um cenário neutro, científico e menos romanceado. O desenvolvimento sempre pode ser favorável ou desfavorável”, complementa o representante do Copenhagen Future Studies no Brasil, em entrevista ao Portal.

Consequências da falta de planejamento e mentalidade empresarial
A realidade de planejamentos a longo prazo no Brasil ainda é restrita as empresas de grande porte. Em parte isto se deve a grande taxa de mortalidade empresarial nos primeiros três anos de atuação: 50% para pequenas e médias empresas, chegando a 70% para micro empresas, de acordo com dados do IBGE. Por outro lado, a mentalidade que impera é a de que um planejamento estratégico demanda muitos recursos. O olhar estratégico e a compreensão do contexto macro do mercado, contudo, são vitais. “Não se planejar é um erro. O pior planejamento é não fazê-lo. Se você tem um plano e não cumpre na íntegra, pela necessidade de fazer alterações no caminho, tudo bem, pois havia um cenário de chegada proposto. Se não existe um caminho pré-estabelecido, não se tem trajetórias e nem metas. Sendo assim, qualquer vento leva para qualquer lugar. Ainda que não se tenha um departamento estabelecido, existem ferramentas digitais, que o próprio empresário pode aplicar independente do seu porte, é uma questão de visão”, pontua Luiz Alberto Gravina Belmiro.

O planejamento efetivo, bem como o futuro remoto das companhias, depende diretamente da cabeça dos seus diretores e da sua capacidade de investir. É um exercício para aceitar a imprevisibilidade ea ideia de que vários pontos do planejamento poderão não dar certo ao longo da execução, demandando mais investimento. “Quando estipulamos prazos para que um projeto dê retorno, existe uma dificuldade de se aceitar mudanças. O imediatismo tende para a perda de identificação da marca, o que prejudica muito. Um planejamento de Marketing é montado para determinado período, sendo que as coisas mudam constantemente e um risco que sempre existe é chegar lá na frente e perceber que todo esse planejamento ainda precisa de mais investimento. Normalmente quando isso acontece, surge uma resistência”, aponta Marcos Silva.

Quando a diretoria da empresa passa a compreender estas mudanças estratégicas, o foco se volta para inovações em produtos e serviços, o que constrói um diferencial competitivo. “Para investir no futuro, as empresas precisam deixar de fazer mais do mesmo e compreender que o seu trunfo para se destacar em meio às megatendências está exatamente naquilo que elas ainda não inventaram. As tentativas e erros podem ser preciosos neste processo de criação”, diz Peter Kronstroem.

*Fonte: http://www.mundodomarketing.com.br/reportagens/mercado/29921/de-olho-nas-megatendencias–tem-como-se-planejar-para-10-ou-20-anos-.html – Por Luisa Medeiros